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Legalmente Loira alguns anos depois


 Assisti ao filme Legalmente Loira 23 anos depois da estreia. Hahaha Apenas. Mas, o filme não se mostrou datado. Talvez alguma piadinha sobre homens hétero não conhecerem designers, mas de um modo geral a narrativa poderia acontecer nos dias de hoje. A questão do preconceito em relação a mulheres loiras, que gostam de moda, permanece. É impressionante como certas coisas demoram para evoluir. E a percepção a respeito da inteligência da mulher é uma delas. 

No filme, a atriz Reese Witherspoon interpreta Elle Woods, uma jovem apaixonada que deseja ser pedida em casamento pelo namorado. Mas, ela é rejeitada por ele sob o pretexto de que seria inadequada para os padrões da família dele, que esperam que ele case com uma mulher "séria". Elle vive a dor da rejeição, mas como toda boa romântica, cria planos para reconquistar o seu amor. 

Ela, assim como muitas mulheres ingênuas e apaixonadas, não percebem o mau caratismo de seu parceiro. Acreditam que podem mostrar o seu valor para alguém incapaz de enxergar. E se esforçam para reconquistar, para estar à altura. No fundo porque ainda não percebem que o idiota é que não está à altura delas. E assim, representando milhares de mulheres espalhadas pelo mundo, Elle segue uma Odisseia para ir de estudante de moda a caloura de direito em Havard. 

Seu engajamento em conseguir chamar a atenção do ex-namorado é frustrado pela segunda vez quando ela descobre que ele está noivo de outra. Apesar da decepção, ela ainda insiste em vencer esse jogo do amor. Isso demonstra algumas coisas em relação à personalidade da personagem: primeiro, que ela é alguém muito autoconfiante porque embora arrasada, acredita que vai conseguir reconquistá-lo; segundo, que ela não se deixa abater pela depressão e terceiro que a raiva gera nela uma força de vontade que a impulsiona, bem diferente de quem paralisa na melancolia e desacredita de si mesma. 

O filme é interessante, tanto por mostrar a luta da personagem por conseguir mostrar o seu valor a um homem desprovido de caráter, quanto por tocar em questões como o empoderamento feminino e o assédio sexual no trabalho. Uma dura realidade que muitas mulheres enfrentam e que pode, muitas vezes, impedir o desenvolvimento profissional. 

No filme, que é ambientado em um circuito de personagens da área jurídica, a maneira como a personagem lida com o assédio que sofre do seu chefe merece destaque. Primeiro, ela pensa em desistir de tudo. Mas, encontra uma de suas professoras por acaso num salão de beleza e a professora a encoraja a mostrar sua verdadeira força interior e não desistir de sua carreira. O engraçado é que tudo começou pelo sonho de Elle reconquistar o ex-namorado, mas o foco dela mudou. Ela passou a ficar tão envolvida no trabalho que os pensamentos dela mudaram e aquele desejo pelo babaca do ex-namorado foi diluindo em sua mente. 

Essa mudança de direção no objetivo, que passou da vontade de ser amada por um homem para a vontade de exercer um bom trabalho como estagiária, levou a personagem para um caminho de realização interior. Que o filme sirva de lição para nós, mulheres! Por mais que o motivo que a impulsionou a querer estudar mais e se destacar tenha sido o desejo de viver um grande amor, com o tempo ela passou a se realizar por si mesma, ultrapassando o teatro que havia inventado no início de sua jornada como universitária. 

Até porque no final, ele passa admirá-la pelo seu desempenho promissor profissional e volta atrás. Ele quer reatar o relacionamento e se declara. Ah, como os cafajestes são bons com as palavras, até dizer que a ama ele diz. Mas, ela aguçou sua percepção e viu quem ele era de verdade. E, com toda elegância, ela dá as costas para ele e caminha ao encontro de si mesma, escolhendo quem a apoia e admira de verdade. 

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